Crônica: Quando Nos Faltam Palavras...


Desejoso em se tornar um escritor. Estava disposto a concretizar esse sonho, mesmo passando por alguns percalços da vida. Faz parte! Suas histórias impactariam as pessoas, pois todos que liam seus escritos o admiravam pela forma que transcorriam suas palavras. Na verdade, já vivia essa realidade há tempos.

Nos dias de hoje não era tão mau assim. Vivia num mundo altamente evoluído e internético!!! Também passava constantemente na sua cabeça que sempre haveria palavras para toda e qualquer situação. (Nem imagina que a vida surpreende quando menos esperamos. Escrever não é tão previsível assim. Um dia temos palavras, inspirações; outro dia, nos faltam totalmente. Mas, isso era apenas um detalhe!)

Sua profissão era outra. Mas nada o impedia de escrever. Mesmo que fosse algumas palavras e versos. Escrever era (é) seu maior prazer de viver desde tenra idade. Um aspirante a escritor - é assim que se definira. 

Também viagens faziam parte de seus dias e sonhos. Não só de um lugar para outro geograficamente falando, mas de se mover através de seus pensamentos imaginativos e sonhadores. Tanto era que tornavam assim como uma espécie de fuga deste mundo ilusório, cruel e mesquinho. Fugir - o fazia sentir-se liberto. Pelo menos, enquanto escrevia.

E no seu caminhar: escrevia, escrevia e escrevia. Até que uma "sonhadora" atravessou seu caminho. De longe, essa mesma, sabia que ele teria as palavras mais certas e bem colocadas - para ela. Afinal, era um aspirante a escritor - tinha que ter! Estava sendo treinado para isso. Não podia falhar.

Todas as vezes que lia seus escritos, as palavras eram perfeitamente encaixadas na mais pura plenitude. Isso a encantava mais e mais. Cada vírgula, vogal, consoante, verbo, adjetivo, ponto, reticências(...) Como não teria palavras para ela? Certamente, ele teria - pensava ela. 

E esse dia chegou! E foi tão longe, tão além que ambos não poderiam imaginar tal "momento". Quando nos faltam palavras é até uma ironia do destino. No caso, na vida dele. A gente sempre pensa que elas nos seguirão a todo momento e que a teremos disponíveis a todo instante. Sutilmente - enganamo-nos!

Agora, ele que havia lido suas escritas. Que estavam recheadas com as suas mais doces palavras. E quão doces eram suas palavras que mexeram com ele....in-ten-sa-men-te... Ao ponto de deixá-lo atônito com o que sentira naquele instante. Algo dentro si o deixara "balançado e estremecido". Isso foi tão forte que não sabia nem explicar, muito menos dizer algo - para ela.

O silêncio tomou conta naquele exato momento...

"Para um belo e eterno romance florescer...
         é justamente quando nos faltam palavras"

- Adriana Santos
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