Crônica: Risco De Uma Bela Amizade





Os dias seguiam aparentemente normais em meio as suas constantes escritas. Até que certo momento do dia, ela passou a observar os escritos apaixonantes dele. Se você lesse, se apaixonaria também. 

Para sua surpresa, tinham os mesmos gostos e as mesmas palavras. Tanto que em suas conversas, o que mais discorria era sobre os sonhos de cada um. Eram muito apaixonados por tudo que escreviam nos papéis rabiscados tanto nas noites de inverno como também no calor do verão. Ela o admirava por isso.

Quando se encontravam, sentiam que algo estava rolando. Mas, ambos não revelavam, apenas soava aqueles suspiros escondidos dentro do peito que exalava uma sensação terna e carinhosa. Mesmo nunca terem trocado um único olhar, de nunca terem atravessado os olhos um ao outro. Nem sequer de relance! Mas quem disse que para se apaixonar era preciso só de um "olhar"? Pensava ela. 

Em uma de suas mensagens no zap-zap:
- Hahaha - dizia ele;
- Hehehe - respondia ela.
E se entendiam perfeitamente.

Porém, o que parecia uma coisa boa - não era! Pelo menos, para ela. Até porque haviam construído uma bela amizade que, para este momento, a bloqueava durante algum tempo. Continuamente, sentia que esse ar diferente entre seus pulmões aumentava, e transcorria além de um "ser amigos". Não havia um dia sequer que ela não pensasse nele imaginando que poderiam dar certo. Isso a consumia e a contorcia diariamente. Volta e meia, perguntava-se:
- Como dizer-lhe?

Assim, nas suas madrugadas sem fim, preferiu deixar-se amortecer tudo que sentira.
Era um grande risco...

- Adriana Santos

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